As fábricas

 
Os templos são aqui. Porque aqui os produtos são feitos, testados e testados exaustivamente até serem levados ao consumidor, ao cliente. Na Ford Motor Company, isso não foge à regra, pois todos os veículos produzidos até hoje caracterizavam-se pela simplicidade, aliada a um toque de inovação.
 
No início, a produção era feita quase artesanalmente, pois as peças dos veículos chegavam para ser montadas pelos operários. Já a partir de 1913, ano da implementação da linha de montagem por Henry Ford, a história mudou radicalmente. Ao longo dos anos seguintes, o aperfeiçoamento torna-se uma constante. Pensemos que, no caso do Ford Modelo T, Mr. Ford conseguiu fazer 15 milhões desse ícone, mesmo sem a tecnologia de robôs. Isso é impressionante!!
 
Antes da instalação da atual fábrica da montadora, localizada em Dearborn, Michigan, a Ford teve quatro fábricas - na Avenida Mack, na Avenida Piquette, em Highland Park e o famoso Complexo Rouge, todas em Detroit, no Centro-Oeste dos Estados Unidos.
 
 
Fábrica da Avenida Mack
 
A primeira fábrica da Ford funcionou nos números 688 e 692 da Avenida Mack, em Detroit, em um edifício remodelado para vagão de trem. A Companhia ficou aqui de 1903 a 1905, período em que os primeiros produtos eram feitos por meio de estações. Aqui eram produzidos 15 automóveis por dia, ao preço que variava de 750 a 850 dólares. O primeiro carro feito pela Empresa - o Modelo A - foi feito aqui; no total, 1.708 unidades. Também foi produzido nesta planta o Ford Modelo C.
 
Em 1905, a Companhia mudou-se para a fábrica da Avenida Piquette. Em 1906, Henry tornou-se presidente da Empresa.
 
Réplica (papel e isopor) do prédio da primeira fábrica da Ford, na Avenida Mack, Detroit
 
O Ford Modelo A 1903 foi produzido na Avenida Mack
 
 
 
Dois modelos A 1903 na frente da fábrica da Avenida Mack (resina e arame)
 
Este jornalista tem a honra de exibir uma réplica (escala 1:6, madeira) do Ford Modelo A Rear Entry Tonneau 1903
 
 
Fábrica da Avenida Piquette
 
Havia nesta fábrica, em 1905, 130 funcionários trabalahando neste edifício, que tinha três armazéns, paredes de tijolos comuns e 355 janelas. Havia, ainda, uma casa de máquinas dotada de geradores. Durante o período de cinco anos em que lá funcionou (1905 a 1910), essa planta produziu os automóveis Modelos B, C, F, N, R, S, e T.
 
Confira os números da produção ano a ano:
 
ANO - FÁBRICA - EMPREGADOS - MODELO
1903-1904 Mack Ave 125 1,700 A 
1904-1905 Mack Ave 300 1,745 AC,B,C 
1905-1906 Piquette Ave 300 1,599 B,C,F 
1906-1907 Piquette Ave 700 8,423 B,F,K,N,R,S 
1907-1908 Piquette Ave 575 6,378 K,N,R,S,SR 
1908-1909 Piquette Ave 450 10,607 R,S,SR,T 
1909-1910 Piquette Ave 1,655 18,664 T 
 
Réplica (madeira, papel, linha de costura) da fábrica na Avenida Piquette
 
Nesta fábrica foram produzidas 12 mil unidades do Ford Modelo T
 
Nas extensas laterais das paredes, lia-se: A Casa dos famosos Automóveis Ford
 
 
Fábrica de Highland Park
 
Conhecida como A Casa do Ford Modelo T, essa fábrica, que funcionava na Avenida Manchester, 91, na cidade de Highland Park (perto de Detroit), foi desenhada pelo arquiteto Albert Kahn (da equipe de Ford) e inaugurada em 1910.
 

O complexo inclui escritórios, fábricas, uma usina de energia e uma fundição Mais de 120 acres em tamanho, o Highland Park Planta foi a maior fábrica do mundo na época de sua abertura. Devido ao seu design espaçoso, estabeleceu o precedente para muitas fábricas e unidades de produção construídas depois. 

Conhecida como A Casa do Modelo T, a fábrica de Highland Park tinha ainda o apelido de Palácio de Vidro (em virtude de suas inúmeras janelas de vidro); a fase final da linha de produção do Modelo T ocorria no pátio externo dos edifícios

 

Em 1913, a planta de Hiighland Park tornou-se a primeira unidade de produção no mundo a implementar a linha de montagem. A nova linha de montagem melhorou o tempo de produção do Modelo T de 728 para 93 minutos. A linha de montagem dessa fábrica baixou o preço do Modelo T de 700 dólares em 1910 para 350 em 1917, tornando-se um automóvel acessível para a maioria dos americanos. Ford ofereceu quase três vezes os salários pagos em outras fábricas aos operários não qualificados. 

No final dos anos 1920, a montagem de automóveis da Ford mudou-se para o Complexo do River Rouge, na cidade vizinha de Dearborn . 

A partir de 2011, a antiga fábrica passou a ser usada pela Ford Motor Company para armazenar documentos e para armazenamento de artefato para o Museu Henry Ford . Uma parte também é ocupado por Forman Mills, um armazém de roupas aberto em 2006. 

Complexo Rouge

O Complexo Rouge (The Rouge Complex), idealizado por Henry Ford, com apoio do filho dele, Edsel Ford,  começou a ser construído em 1917 e terminou em 1928.

O Complexo Rouge fabricava todas as partes dos veículos a serem montados, por exemplo : carrocerias, chassis, motores, transmissões, radiadores, tanques, rodas, volantes, tapeçaria, madeiramentos, além de peças plásticas à partir de soja. Esta versátil Industria, tinha depósitos com capacidade combinada para mais de 2 milhões de toneladas de minério de ferro, carvão e pedra calcárea. Operava junto a um porto com 1,6km de docas, e era suprida por navios pertencentes à Ford.

Era uma cidade sem moradores, e , para acomodar todas estas pessoas, tinha linhas de ônibus, corpo de bombeiros, departamento de polícia, hospital e uma equipe de manutenção de 5 mil homens, que consumia 3.500 esfregões por mês. A linha de produção trabalhava como um relógio e finalizava um automóvel à cada 49 segundos. 

Maquete (madeira, resina, arame) da fábrica do Complexo Rouge, que demorou 11 anos para ser construído

Maior complexo industrial do mundo nos anos 20, o Rouge era uma minicidade com corpo de bombeiros, hospital, linhas de ônibus, ferrovia e equipe de manutenção; esse complexo tinha cerca de 5km de extensão

Pelo Rouge circulavam navios que descarregavam as matérias-primas nos miniportos

Nessa fábrica foram construídos, dentre outros, o Ford Mustang, o Thunderbird, o Mercury e o Modelo T 

 

Tudo era organizado  para atingir eficiência máxima no recebimento da matéria-prima e seu deslocamento até as usinas de força, altos-fornos, fornalhas, moinhos, laminadores, forjas, serras e prensas, para serem transformados em eletricidade, aço, vidro, cimento e tábuas. Ford projetou Rouge para permitir uma reciclagem intensiva – quase todos os materiais utilizados na fabricação de peças automotivas eram reaproveitados.


Os números impressionam: mais de 140 mil metros quadrados de área construída, 93 edifícios (totalizando 31,5km² de área construída), cerca de 100 mil trabalhadores; 2,4km de comprimento; 1,6km de largura, 160km de estrada de ferro interna, para suas 16 locomotivas; 193km de correias transportadoras de materiais; 24km de ruas pavimentadas para sua frota de ônibus; usina de força própria, que consumia 2.200 toneladas de carvão por dia e gerava 2.500.000 quilowats/dia; 1.000 caminhões Ford que traziam carvão para a fábrica; alto-fornos que produziam 1.200 toneladas de ferro por dia; fundição que ocupava uma área de 121.406 m², que recebia o ferro líquido diretamente dos fornos e os colocava em moldes para transformá-lo em blocos de motores, cilindros, coletores, escapamentos e outras peças diversas; 240 fornos de carvão, que produziam 17.655.000m³ de gás, 151.500 litros de piche, 49.895kg de sulfato de amônia e 45.454 litros de óleo leve e refinado a cada 24 horas; fábrica de cimento Portland, com produção diária de 2.500 barris; fábrica de vidros com capacidade anual de 929.000m² de vidro de segurança, que era equipamento padrão de todos os veículos Ford; usina de aço e laminação; estamparia; fábrica de papel reciclado; manufatura de arame; ferramentaria; fábrica de tintas; fábrica de pneus. 

Após a década de 1960, a Ford começou a descentralizar fabricação, construção de muitas fábricas em todo o país. O Rouge, também foi reduzido, com muitas unidades (incluindo os fornos famosos e docas) vendidas a empresas independentes.

O barco Ford Eagle Boat 1918 (este em resina), usado para patrulhamento da costa americana durante a Primeira Guerra Mundial, foi também produzido no Rouge

 

Em 1992, só a produção do Mustang permaneceu na Planta de Dearborn (DAP). Em 1987, a Ford havia planejado substituir o carro com a tração dianteira Ford Probe , mas o clamor público rapidamente virou-se para as vendas de afluência. Com a quarta geração do Mustang sendo um sucesso, o Rouge foi salvo também. A Ford decidiu modernizar suas operações e construiu uma nova usina de energia para substituir a original, em que uma explosão de gás em 1 de fevereiro de 1999, matou seis funcionários e feriu duas dúzias mais.

Com o fim da produção, a Dearborn Assembly Plant (DAP) foi uma das seis plantas desativadas dentro da Ford Rouge Center. Em 10 de maio de 2004 com um vermelho conversível 2004 um Ford Mustang GT 2004 conversível vermelho foi o último veículo construído no local histórico.

A demolição das instalações históricas da  DAP foi concluída em 2008. Tudo o que resta é um estacionamento de três mil lugares para abrigar a produção de caminhões leves da nova fábrica de montagem, em Dearborn. 

 

 

Fábricas no Brasil

Atualmente a Ford do Brasil possui quatro fábricas no País: 

  • Camaçari, na Bahia, que produz 250 mil veículos por ano (912 veículos por dia, 1 veículo a cada 80 segundos) - aqui são feitos o Ford Fiesta e o Novo Ford Ecosport; há 512 robôs em operação, o que a torna a maior fábrica fordista robotizada da América Latina;
  • São Bernardo do Campo, SP - O Conjunto Industrial Ford São Bernardo do Campo - no ABC paulista, berço da indústria automobilística brasileira - é a unidade em operação mais antiga da empresa e também a sua sede administrativa. Ela abriga duas fábricas: a de Carros, que hoje produz o Novo Ka e a pick-up Courier, e a de Caminhões. Além da linha Cargo - formada por 12 modelos de caminhões leves, médios e pesados, com peso bruto total de 7.700 kg a 45.150 kg e diversas configurações - ela produz também os caminhões e pick-ups Série F;
  • Tatuí, SP - Considerado um dos mais modernos do mundo, o Campo de Provas da Ford em Tatuí, no interior de São Paulo, funciona desde 1978 com instalações completas para o desenvolvimento e teste de automóveis, utilitários e caminhões. Sua área de 4,66 milhões de metros quadrados inclui instalações administrativas, laboratórios, oficinas para a construção e montagem de protótipos, testes especiais e 50 km de pistas;
  • Taubaté, SP - Localizada a 130 km da capital paulista, a Fábrica da Ford em Taubaté é uma das pioneiras no Brasil na fabricação de motores, transmissões e componentes automotivos. Ela tem capacidade anual para produção de 430 mil motores e 430 mil transmissões, utilizando os mais modernos processos de fundição, usinagem e montagem.
Réplica da linha de montagem do antigo Ford Ecosport em Camaçari, BA
No detalhe, os robôs em ação
Atualmente a fábrica da Ford em Camaçari produz o novo Ford Ecosport
Réplica em resina (escala 1:40)
 
 
 
Outras fábricas no mundo
 

Henry Ford sempre foi um pensador universal. Para se ter uma ideia, no final dos anos 10 e começo dos 20, de cada dois automóveis produzidos no planeta, um era da Ford. Em sua visão de empreendedor, ele resolveu que seu produto principal – o automóvel Modelo T -, concebido como bom e barato, deveria ser disponibilizado a qualquer cidadão em todos os cantos da Terra.
E com o propósito de expandir os negócios de sua companhia no mundo, Ford decidiu, no começo dos anos 10, inaugurar sucursais na Europa.  A primeira fábrica fordista fora dos Estados Unidos começou suas atividades em 1911, em Manchester, na Inglaterra, onde o Ford Modelo T deu o pontapé inicial de seu sucesso no Velho Continente.
Estava lançada a semente da Ford Europa, que se consolidou em 1967.

Em 1912, iniciou a linha de montagem na França; em 1925, estava também presente na Itália, Dinamarca, Irlanda e Bélgica. Ainda compõem esse elenco subsidiárias na Espanha e em Portugal.

A Ford Europa iniciou suas atividades no final dos anos 60; a primeira fábrica fora dos EUA foi inaugurada em Manchester, Inglaterra, em 1911; aqui vemos réplicas de modelos feitos no continente europeu
 

Em outubro de 1930, outra importante sucursal fordista era inaugurada em Colônia, na Alemanha. Para esse evento, Henry Ford em pessoa atravessou o Atlântico. A fábrica norte-americana já produzia no país desde 1926, em Berlim, onde era montado o Modelo T, que na época fazia o maior sucesso nos Estados Unidos. Produzido em esteira, custava a pechincha de 850 dólares.
No dia 15 de abril de 1931, foram encerradas as atividades em Berlim, e no dia 4 de maio já estavam sendo produzidos os primeiros exemplares do Modelo A em Colônia. No começo, 10 a 12 automóveis deixavam a linha de produção a cada hora.

O início da Ford às margens do Reno se deu numa época de grandes dificuldades econômicas. A Alemanha estava arrasada por causa da crise mundial e a República de Weimar praticamente não conseguia controlar a economia interna.

Atualmente, segundo informações de revistas e pesquisas de mercado, a Ford é a segunda marca mais vendida no Continente Europeu. Modelos como Street Ka (atual Kuga), Sierra, Taunus, Fiesta, Focus já estão consolidados no gosto do consumidor. Sem falar nos eternos e saudosistas Capri, Abeille, Vedette, Anglia, Transit Van, Escort, Cortina e Prefect, que fizeram e ainda fazem história na memória de gerações de colecionadores.

Além da Europa, a Ford também exportou seus automóveis para outros mercados na época, como Canadá (em 1904), Austrália, Japão, China, México, Argentina, Brasil, África do Sul, Índia e Rússia.
 

 
Fontes: Textos de José Luís Cantanhêde, livro A Fordlândia, de Greg Grandin, e Portais Wikipedia, Clube do Fordinho, Ford Brasil, Wrenscottage (Greenfield Village Memories) e Early Ford Registry