Paisagens de Minas

 

“Minas são muitas. Porém poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais”, dizia o grande escritor Guimarães Rosa, em seu livro “Ave, Palavra”.

Minas, relamente, são muitas histórias – de séculos passados – lendas, ouro, desbravamento -, são países diferentes, geografias, linguagens, povos e sonhos. O antigo e o novo, o sagrado e o profano, o lampião a gás e o led.

Para lembrar alguns dos principais pontos turísticos de cidades do Estado, como Araxá, Belo Horizonte, Ouro Preto, Diamantina, Congonhas do Campo e Sabará, reuni as réplicas de monumentos desses lugares em minha coleção, que é ilustrada, ainda, por miniaturas de veículos da Ford, que foi a primeira montadora a se instalar no Brasil e, logicamente, em Minas Gerais.

Bom passeio!

 

 

Texto: JL Cantanhêde, Wikipedia e 360 Graus Cities (legendas)

 

Réplica (plástico e feltro) do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão (antes da reforma para a Copa do Mundo de 2014), em BH

No início da década de 50 começam a surgir projetos para a construção de um grande estádio em Belo Horizonte. A proposta escolhida foi a do Estádio Universário, a ser erguido na Pampulha, em terreno cedido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O Estádio Minas foi criado com a Lei 1.947 de 12 de agosto de1959, assinada pelo então governador Bias Fortes. A capacidade do projeto inicial, que comportaria 30 mil pessoas, foi ampliada para 100 mil pessoas, tarefa dos arquitetos Eduardo Guimarães e Gaspar Garreto.

O novo estádio ganhou relevância na engenharia nacional não só por suas dimensões gigantescas, mas por apresentar inúmeros avanços na construção civil. A equipe de engenheiros, liderada por Gil César Moreira de Abreu, buscou superar em eficiência o que havia de melhor em solo nacional, o Maracanã, e até mesmo internacional.

Entre agosto de 1964 e julho de 1965, mais de mil operários trabalharam em tempo integral, divididos em três turnos, para entregar ao País o mais moderno estádio do mundo. A inauguração foi em 5 de setembro de 1965, com uma partida entre a Seleção Mineira e o River Plate, da Argentina, com um público de 73. 201 pessoas. Em 2010, passou por uma reforma para atender as necessidades estipuladas pela FIFA para a Copa do Mundo de 2014. Em 12 de agosto de 2003, o estádio foi tombado pelo Conselho Deliberativo de Patrimônio Cultural do Município 

de Belo Horizonte

Detalhe dos Fords (resina em 1,5cm) no estacionamento: Transits, Rurais, Mavericks, Coupes 1937; o Cruzeiro Esporte Clube, atual tricampeão brasileiro (1966, 2003 e 2013) e meu clube de coração, é o maior campeão da Era Mineirão, com 23 títulos após 1965, tendo, também, o recorde de público do estádio - 132.834, no Campeonato Mineiro de 1997, no qual sagrou-se campeão contra o Villa Nova, de Nova Lima

 

Réplica (papel e isopor) do Grande Hotel e Termas de Araxá

O Grande Hotel e Termas de Araxá localiza-se no Parque do Barreiro; sua construção foi iniciada em 1938, e a inauguração ocorreu em 1944, pelo então presidente da República Getúlio Vargas e pelo então governador de Minas Benedito Valadares. Os jardins e todo o projeto paisagístico foram criados pelo famoso pintor e paisagista Roberto Burle Marx. O projeto do arquiteto Luiz Signorelli tem estilo semelhante ao encontrado nas antigas construções coloniais da América espanhola, em países como Colômbia e Venezuela. Suas paredes são revestidas com barro avermelhado, simbolizando a simplicidade. A cada dois anos é realizado o "Encontro Nacional de Automóveis Antigos", que reúne, em seu pátio externo, cerca de 300 automóveis raros. No detalhe, alguns Fords presentes, como Mustangs, Fords 37 e 32, Modelo T, Lincoln Continental, Galaxies (escala 1:64)

Réplica da Igreja de São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha), em BH; estacionados, dois Fords: Mustang GT 2010 e Bronco 1973 (escalas 1:64)

Localizada na Lagoa da Pampulha, suas linhas arredondadas simbolizam a ousadia de Oscar Niemeyer. O projeto é considerado um marco da arquitetura moderna brasileira e sua construção terminou em 1945.  No exterior da igreja há um painel de azulejos, em tons azuis, de autoria de Candido Portinari, representando São Francisco de Assis. No batistério, coro, púlpito e nas bancadas laterais, existem outros painéis de azulejos, também criados por Portinari. Nas laterais externas, painéis abstratos de pastilhas, do artista Paulo Werneck. Os jardins que estão ao redor da Igreja foram projetados por Burle Marx. Neste projeto de Niemeyer, o concreto armado foi utilizado para criar uma abóbada parabólica, até então só utilizada em hangares. A  abóbada da capela da Pampulha foi, ao mesmo tempo, estrutura e fechamento, eliminando a necessidade de alvenarias. A tecnologia introduziu a diretriz de toda a obra de Niemeyer: uma arquitetura onde será preponderante a plasticidade da estrutura de concreto armado, em formas ousadas, inusitadas e marcantes. O pioneirismo das linhas curvas escandalizou o conservadorismo da sociedade da época. As autoridades eclesiásticas não permitiram, por muitos anos, a consagração da capela devido à sua forma inusitada e ao painel de Portinari no altar-mor. 

Mais um Ford apareceu para visitar a Igrejinha da Pampulha: um Woody Wagon 1948 (esq.); foi o último prédio a ser inaugurado do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. É considerada a obra-prima do conjunto. 

Réplica da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sabará; no detalhe, a passeio na cidade, um Ford Mustang Shelby GT 500 2007 (resina) 

Também chamada de Capela de Nossa Senhora do Ó e Capela do Ó, é uma das edificações católicas construídas em 1717, durante o século XVIII, em Sabará. Uma das mais representativas do barroco mineiro, possui influência chinesa em sua arquitetura externa e na decoração interna; o seu nome é devido às ladainhas de Nossa Senhora que sempre começam com o Ó e seguem com algum louvor ou agradecimento

Réplica do Passadiço da Rua da Glória, em Diamantina; no detalhe, dois Fordinhos Modelos T (Sedan e Coupe de 1913); ícone da cidade, o Passadiço da Glória, que encanta pela sua graciosidade, foi construído em 1878, sob a responsabilidade do engenheiro Catão Gomes Jardim, para ligar as duas casas que funcionavam como educandário e orfanato, então sob a responsabilidade das irmãs da Ordem de São Vicente de Paula. A obra, na época, causou polêmica, mas acabou se integrando à paisagem diamantinense, e foi o símbolo da campanha "Diamantina - Patrimônio Cultural da Humanidade". Construído, seja com o objetivo de reduzir o contato com o mundo externo, seja facilitar a comunicação entre os dois edifícios, passou a ser uma das mais importantes referências de Diamantina

Réplica do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto; no detalhe, dois Fords - um Lincoln Continental 1941 (esq.) e um Galaxie conversível 1965 (escala 1:64); o Museu da Inconfidência é um museu histórico e artístico que ocupa a antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica e mais quatro prédios auxiliares na cidade. O Museu é dedicado à preservação da memória da Inconfidência Mineira (1789), movimento pela Independência do Brasil baseado na Independência americana. Localiza-se na Praça Tiradentes, em frente ao monumento a Joaquim José da Silva Xavier, principal e mais famoso ativista da Inconfidência. 

Seu aspecto externo é imponente e de grande relevância, com uma fachada simétrica de dois pisos com elementos destacados em cantaria, e um corpo construído sobre um pódio elevado. O prédio abriga acervos judiciários, musicais, históricos, além do Panteão em homenagem aos inconfidentes. 

Réplica dos casarões coloniais de Congonhas do Campo; no detalhe, três Fords passeando pela Rua Direita: dois Modelos T 1914 (resina) e um New Fiesta 2012

Todas as cidades históricas brasileiras e mineiras geralmente tinham suas ruas direitas, que eram consideradas as principais vias de comércio, de cultura e dos principais eventos locais

Réplica da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto; no detalhe, quatro Fords em frente ao imóvel: Picape 1929, Galaxie 500 1964, Galaxie 1965 e New Fiesta 2012 (escalas 1:64); a Igreja foi construída em estilo rococó, e foi classificada em 2009 como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo; sua construção teve início em 1766, com projeto arquitetônico, risco da portada e elementos ornamentais como púlpitos, retábulo-mor, lavabo e teto da capela-mor de autoria de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manuel da Costa Ataíde, considerados os dois nomes mais importantes da arte colonial brasileira.

Réplica do prédio do Museu de Artes e Ofícios (MAO), em Belo Horizonte; estacionados, cinco Fords aparecem na frente desse cartão postal da Capital: Modelo T 1909 (esq.), Mustang 1967, Lincoln Modelo K 1931 e dois Transits 2012

O Museu de Artes e Ofícios é um espaço cultural que abriga e difunde um acervo representativo do universo do trabalho, das artes e dos ofícios do Brasil. Criado a partir da doação ao patrimônio público de mais de duas mil peças pela colecionadora e empreendedora cultural Ângela Gutierrez, o MAO revela a riqueza da produção popular, os fazeres, os ofícios e as artes que deram origem a algumas das profissões contemporâneas   

O prédio do MAO, construído em 1923, está instalado na Estação Central de Belo Horizonte, por onde transitam milhares de pessoas diariamente

"Minas são muitas. Porém poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais"