As limusines

 

Limusine é um automóvel de grande porte e luxuoso, cujo chassis geralmente é estendido pelo fabricante, a partir de modelos preexistentes de modelos de automóveis de luxo, e são, tradicionalmente, de cor negra ou branca. Possui um teto rígido fixo, quatro ou seis portas laterais, seis vidros laterais no mínimo. As limusines são quase sempre conduzidas por chauffeurs que têm um compartimento separado do restante habitáculo, e fazem muito sucesso entre pessoas ricas e celebridades.

Dentre os modelos que tenho na coleção, duas são famosas réplicas de limusines produzidas pela Ford em escala 1:18: a Ford Excursion 2004 (famosa nos Estados Unidos) e a Itamaraty Executivo (de fabricação nacional, feita nos anos 60).

Réplicas das limusines Ford Itamaraty Executivo 1967 (resina) e Excursion 2004

 

Ford Excursion

A Ford Excursion Limusine é o maior utilitário da linha da Ford e foi baseada na plataforma do caminhão-pickup Super Duty. O modelo oferece um poderoso motor V8 a gasolina e diesel e um V 10 a gasolina. É bem espaçosa com assentos para nove passageiros. Produzida entre 2000 e 2005, a Excursion, que é comum nas ruas de grandes cidades americanas e na Europa, é classificada como um veículo para serviços pesados no comércio e na área rural.

Esta réplica de 2004 (em metal, escala 1:18) traz incríveis detalhes do modelo, como assentos de couro, carpete, garrafas e taças, tudo para conforto dos passageiros.

 

Mini da Ford Excursion 2004 (45cm de comprimento)

Interior de luxo em detalhes

 

Ford Itamaraty Executivo

O projeto de se construir uma limusine no Brasil nasceu na administração do então presidente da Willys-Overland no País William Max Pearce, um americano que iniciou sua carreira como piloto de Edgar Kaiser (filho do magnata do ramo da metalurgia Henry Kaiser, fundador da indústria de automóveis Kaiser-Frazer) e que aceitou o desafio de trabalhar no Brasil, a partir de 1955, quando ocupou os cargos de diretor industrial e diretor administrativo até chegar à presidência da empresa, onde permaneceu até sua transferência para a Ford em 1967.

 

A limousine era uma boa idéia de marketing desenvolvida por Pearce, pois foi intencionalmente construída em número limitado e com o objetivo de dar ainda mais prestígio à marca. Parte deste marketing incluía a entrega, durante o V Salão do Automóvel, de um modelo com características únicas para o uso exclusivo do Presidente da República. Os outros exemplares serviriam a governadores, ministros e possivelmente alguns empresários.

Réplica (resina) do Ford Itamaraty Executivo 1967, a mais bela limusine produzida no Brasil

A imprensa especializada já vinha antecipando a existência do projeto e um dos fatores que criaram grande expectativa era a crença de que o automóvel a ser oferecido para a Presidência da República seria equipado com vidros à prova de balas e com carroçaria blindada. Tudo isso ajudou a dar mais notoriedade à limusine.

Finalmente o lançamento oficial se deu no “V Salão do Automóvel”, que se realizou no pavilhão do Ibirapuera (em São Paulo) entre 25 de novembro e 12 de dezembro de 1966 com a entrega do modelo Especial (E-340 chassi 05) ao então Presidente da República, o Marechal Castello Branco. Na verdade, este modelo não era blindado, mas possuía alguns equipamentos a mais do que os outros, tais como o rádio transmissor (colocado no porta-malas, com uma bateria suplementar), suportes para os pequenos mastros para as bandeiras nos pára-lamas dianteiros, brasões da República nas colunas da capota e no centro do banco, plataformas escamoteáveis e alças externas para uso dos seguranças além de uma televisão e de um velocímetro no console central do habitáculo traseiro. Somente este veículo, de toda a série, usava o brasão da República nas colunas traseiras e entre os bancos dos passageiros.

 

Dentre os passageiros ilustres da limusine estão a Rainha da Inglaterra Elizabeth II e o Príncipe do Japão Akyito

No total, foram fabricadas apenas 27 limusines no Brasil, sendo dois protótipos, 19 do modelo "Standard" e 6 do modelo "Especial". Sua carroçaria foi desenvolvida em conjunto com a Karmann-Guia, sendo que alguns exemplares têm gravado numa pequena placa nas soleiras das portas traseiras os dizeres "carroçaria Karmann-Guia". A modificação consistiu na inserção de mais alguns centímetros entre as portas e também entre a porta traseira e o porta-malas. Importante notar que parte deste ganho de dimensões foi obtido devido à limitação de espaço para o motorista, já que o banco dianteiro não permite regulagens.

O modelo "Standard", que era tecnicamente conhecido como série 6-1152 S-340, era uma versão com diversas características exclusivas, porém menos luxuoso que o modelo "Especial", que era da série 7-1153 E-340.

A grande diferença entre o "Executivo" e o Itamaraty estava no habitáculo para os passageiros, pois havia, na versão "Standard", espaço para 5 pessoas sendo 3 no banco propriamente dito e 2 nos banquinhos escamoteáveis situados nas laterais da parte central do automóvel, vidro elétrico separando o motorista, rádio com 4 faixas de ondas, toca-fitas de cartucho (Clarion Car Stereo), apoio móvel para os pés, detalhes de acabamento em jacarandá-da-Bahia maciços, vidro tipo "ray-ban" no pára-brisas e no vidro traseiro, ar condicionado e uma plaquinha em prata indicando que o veículo havia sido "Fabricado especialmente para...".

A versão "Especial" tinha todos estes requintes, mas com capacidade para 4 passageiros. O banco era separado por um console fixo que possuia um gravador Sony, um barbeador Remington Roll-a-Matic, um toca-fitas de cartucho Clarion Car Stereo, espaço para guardar as fitas cartucho além dos controles de luzes internas, separador de vidro entre as cabines e acendedor de cigarros. Interessante notar que o padrão do estofamento foi inspirado no que fôra usado no Itamaraty 66 sendo então composto de grandes quadrados delineados por costura e com botões nas extremidades.

 

Foram produzidas apenas 27 Itamaratys Executivos no Brasil

Os interiores eram sempre em couro, na sua maioria, da cor havana na parte dos passageiros e preto na parte do motorista. Entretanto existe um exemplar com havana nas duas cabines. O estofamento era oferecido nas cores havana, preto, cinza e branco. O interior do modelo standard seguiu a padronagem dos Itamaratys com costuras verticais.

Os automóveis saíram de fábrica geralmente na cor preta pois se conhecem apenas três exemplares de outra cor sendo dois azuis marinho (um deles foi de uso da Willys e posteriormente pintado de preto pela própria fábrica) e um verde cujo atual proprietário pintou de preto. Dos automóveis atualmente conhecidos apenas 1 não é preto.

Muitos fatos interessantes ocorreram com os "Executivos", mas um é especial e aconteceu com o "Executivo" do Governo do Estado de São Paulo (E-4), quando do governo Abreu Sodré. Certa noite, em meados de 1968, o automóvel foi metralhado no bairro do Pacaembu com o governador a bordo; o mesmo só não se feriu pois estava recostado no banco traseiro com os pés apoiados na banqueta retrátil. Mesma sorte não teve o motorista que foi ferido nas pernas. Consta que, durante a reforma, o atual proprietário teria encontrado uma das balas alojada no interior de uma das portas.

Com exceção do Rolls-Royce da Presidência da República (que foi comprado e não doado pela rainha da Inglaterra como poderemos ver num artigo futuro), nenhum outro automóvel serviu a tantos presidentes e autoridades estrangeiras quanto os "Executivos". Para se ter uma idéia, só o presidencial (E-5) serviu a 7 presidentes da República e teve sua última grande aparição pública quando da posse do presidente Collor quando foi usado para levar sua esposa à cerimônia.

Dentre os mais ilustres passageiros que se serviram dos "Executivo" podemos citar a rainha Elisabeth II, da Inglaterra, o Príncipe Akihito e a Princesa Michiko do Japão, a Primeira Ministra da ìndia Indira Ghandi entre outros em visitas que fizeram ao Brasil.

Com todo este passado, é inegável que a limusine Ford Itamaraty Executivo seja não só um clássico, mas um dos automóveis mais interessantes já fabricados no Brasil e que tem lugar assegurado na história de nosso país.

 

Textos dos jornalistas José Antônio Vignoli e José Luís Cantanhêde

 

Um dos carros mais bonitos e emblemáticos feitos pela Ford em todos os tempos - a limusine Lincoln Continental 1961 (este em escala 1:43), entrou para a história como o carro da morte do presidente americano John Kennedy, em 1963

JFK estava sentado no banco traseiro direito da limusine quando foi alvejado mortalmente por um tiro na cabeça, disparado por um ex-fuzileiro naval americano a cerca de 80 metros de onde a comitiva presidencial desfilava

Anos após a morte de JFK, a limusine, que está exposta no Museu Henry Ford, em Michigan, passou por uma série de modificações que objetivavam a segurança dos estadistas e de autoridades

Em Scooby Doo 2 - Monstros à solta, destaque para a limusine Ford F-350 Super Duty Stretched Limousine 1999 (mini de resina)

A turma do Scooby e a limusine tambem chamada de A Máquina do Mistério

Réplica da limusine Ford Lincoln Continental 1972 (escala 1:18), conhecida como Reagan Car

A partir da esq.: Ford Lincoln Town Car Stretch 1999 (escala 1:24) e Lincoln Continental 1972

Uma limusine Ford Crestline Victoria 1953 (escala 1:43)

Aqui uma mini de um Ford Roadster 1932 "esticado" (escala 1:43)

Esta réplica do Ford Mercury 1949 (escala 1:43) deu um aspecto funerário ao carro